O Brasil iniciou uma nova etapa de preparação para receber aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas pela sigla eVTOL. O tema foi discutido em uma reunião realizada em 21 de setembro de 2026 no Ministério de Portos e Aeroportos, com a participação de representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Secretaria Nacional de Aviação Civil e da Eve Air Mobility.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, os primeiros voos comerciais desse tipo no país poderão ocorrer a partir de 2028. A previsão, no entanto, está condicionada à conclusão da certificação das aeronaves e à preparação dos locais de operação, chamados de vertiportos.
O que são os eVTOLs
Os eVTOLs são aeronaves elétricas projetadas para realizar pousos e decolagens na vertical. A tecnologia é frequentemente associada ao conceito de “carros voadores”, mas a operação prevista depende de regras aeronáuticas, controle do espaço aéreo e estruturas próprias para pouso, decolagem e atendimento às aeronaves.
Na prática, a chegada desse modelo ao transporte comercial não depende apenas do desenvolvimento do veículo. Antes de transportar passageiros, cada aeronave precisa cumprir requisitos técnicos e de segurança definidos pelas autoridades responsáveis. Também será necessário estabelecer como os voos serão organizados e quais áreas poderão receber os vertiportos.
Certificação ainda é uma etapa necessária
A Anac abriu, em 21 de julho de 2026, consultas setoriais relacionadas aos critérios de aeronavegabilidade e de certificação de ruído do modelo EVE-100. As consultas, realizadas entre julho e agosto, fazem parte do processo regulatório associado à avaliação da aeronave.
Segundo a Anac, a definição desses critérios é necessária para orientar a certificação. Isso significa que a previsão de início das operações comerciais não representa uma data garantida, mas uma possibilidade que depende do avanço das análises técnicas e regulatórias.
Além da certificação do modelo, a operação deverá observar exigências relacionadas ao ruído, à segurança e à integração com o sistema de aviação. Esses fatores são importantes porque os eVTOLs poderão operar em áreas urbanas e em conexões de alta demanda, aproximando pontos de embarque e desembarque dos centros das cidades.
Vertiportos e controle do espaço aéreo
Os locais destinados aos eVTOLs são chamados de vertiportos. Eles representam uma parte essencial da infraestrutura necessária para que as aeronaves possam operar comercialmente. A preparação inclui a definição de áreas adequadas para pousos e decolagens e a avaliação dos procedimentos que deverão ser seguidos em cada local.
A Anac já publicou orientações iniciais sobre a infraestrutura para pouso e decolagem de aeronaves eVTOL. O documento técnico da agência integra o conjunto de referências para o planejamento das estruturas necessárias à nova modalidade.
O funcionamento dos voos também dependerá da atuação conjunta dos órgãos de aviação. A reunião no Ministério de Portos e Aeroportos reuniu justamente entidades ligadas à regulação, ao controle do espaço aéreo, à política de aviação civil e ao desenvolvimento da tecnologia. Essa integração será necessária para definir rotas, procedimentos e condições de operação.
Uma possível nova conexão entre São Paulo e Guarulhos
Uma das projeções apresentadas no encontro indica que o deslocamento entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos poderia ser feito em aproximadamente 12 minutos com um eVTOL. Atualmente, esse trajeto de carro pode levar entre uma e duas horas, conforme a informação divulgada pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
A estimativa ajuda a ilustrar um dos possíveis usos da tecnologia: conectar áreas urbanas, aeroportos e outros pontos com grande demanda de deslocamento. Ainda assim, o tempo projetado não deve ser interpretado como uma oferta já disponível ao público. Para que uma rota desse tipo seja criada, serão necessários voos autorizados, infraestrutura compatível e procedimentos aprovados pelas autoridades.
Para moradores de Jacareí e de outras cidades do Vale do Paraíba, o avanço dos eVTOLs pode ser acompanhado como parte das transformações previstas para a mobilidade regional e paulista. Por enquanto, porém, o país está na fase de preparação. A certificação das aeronaves, a regulamentação, a construção dos vertiportos e a integração com o controle do tráfego aéreo ainda são condições indispensáveis para que os chamados “carros voadores” deixem o campo das projeções e passem a operar comercialmente.




