Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, ex-secretário de Saúde e médico radiologista com vasta atuação na área de diagnóstico por imagem, costuma reforçar uma ideia que deveria ser incorporada por toda a sociedade: a luta contra o câncer de mama não pode ser tratada como uma pauta sazonal. Muito além do mês de outubro, a conscientização sobre prevenção e detecção precoce precisa fazer parte do cotidiano das mulheres durante os doze meses do ano. Neste artigo, você vai entender por que o Outubro Rosa deve inspirar hábitos permanentes, como funciona o diagnóstico precoce, quais são os fatores de risco mais relevantes e de que forma a sociedade pode construir uma cultura de saúde preventiva e contínua.
Por que o Outubro Rosa não deveria terminar em 31 de outubro?
O Outubro Rosa nasceu como um movimento global de conscientização sobre o câncer de mama e, ao longo dos anos, ganhou enorme visibilidade. Fachadas iluminadas de rosa, campanhas nas redes sociais e mutirões de mamografia mobilizam milhões de pessoas todos os anos. No entanto, quando novembro chega, boa parte dessa atenção se dissolve, e, com ela, o senso de urgência que deveria permanecer ativo.
O problema é que o câncer de mama não segue o calendário. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é o tipo de tumor maligno mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderados os casos de pele não melanoma. Isso significa que, a cada mês do ano, novos casos são diagnosticados, e, a cada mês, mulheres deixam de fazer exames por falta de informação ou por acreditar que esse cuidado pode esperar.
O que o diagnóstico precoce realmente muda na vida de uma paciente?
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues tem dedicado parte expressiva de sua carreira a explicar o impacto direto do diagnóstico precoce nos desfechos clínicos das pacientes. Quando o câncer de mama é identificado ainda nos estágios iniciais, as chances de cura ultrapassam 90%.
A mamografia é o exame mais recomendado para o rastreamento do câncer de mama em mulheres sem sintomas, especialmente a partir dos 40 anos. O Dr. Vinicius Rodrigues reforça também o autoexame, que, embora não substitua os exames de imagem, contribui para que a mulher conheça melhor seu próprio corpo e perceba alterações que merecem atenção médica.

Quais são os principais fatores de risco que toda mulher deveria conhecer?
Compreender os fatores de risco associados ao câncer de mama é parte fundamental de qualquer estratégia de prevenção eficaz. Entre os mais relevantes, estão o histórico familiar de primeiro grau com a doença, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, o início precoce da menstruação, a menopausa tardia, a nuliparidade ou a primeira gestação após os 30 anos, o uso prolongado de terapia hormonal e o sedentarismo associado ao sobrepeso.
O ex-secretário de Saúde Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca que conhecer esses fatores não deve gerar pânico, mas sim orientar decisões mais conscientes. Mulheres com risco elevado podem e devem conversar com seu médico sobre protocolos de rastreamento mais frequentes ou específicos. A medicina preventiva não trata todos os perfis da mesma forma, e esse cuidado personalizado faz toda a diferença.
Como construir uma rotina de saúde feminina que vá além de outubro?
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aponta que, no âmbito pessoal, algumas práticas são fundamentais: agendar a mamografia anualmente a partir dos 40 anos, manter consultas ginecológicas regulares, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física com frequência e evitar o consumo excessivo de álcool.
No âmbito coletivo, gestores de saúde e profissionais da área têm papel central na ampliação do acesso ao diagnóstico. Políticas públicas que garantam mamografia gratuita e em tempo hábil para toda a população feminina são indispensáveis. A tecnologia também pode ser uma aliada poderosa: plataformas digitais de agendamento, aplicativos de lembretes médicos e teleconsultas aproximam a mulher do cuidado, especialmente em regiões com menor cobertura de serviços especializados.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



