Noticias

Hiperautomação e o momento em que ela deixa de compensar

A expansão recente de plataformas de hiperautomação alcançou áreas conduzidas por Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics. Ferramentas que combinam robôs de software, regras de negócio e modelos preditivos prometem eliminar tarefas repetitivas em grande escala e liberar equipes para trabalho analítico. A promessa atrai qualquer gestor pressionado por prazo e orçamento, ainda que nem todo processo devolva o investimento feito para automatizá-lo.

A diferença entre ganho real e custo disfarçado raramente está na ferramenta escolhida. O estado do processo antes da automação pesa bem mais, porque fluxos instáveis e cheios de exceções não mapeadas transferem a desordem para o robô em vez de eliminá-la. Automatizar uma rotina malfeita apenas acelera a produção do mesmo erro, agora em volume maior e com menos gente acompanhando o resultado de perto.

Onde a hiperautomação encontra terreno fértil

Processos de alto volume, regras claras e baixa variação formam o cenário mais favorável, segundo pontua Rolando Bonaccorsi, especialista em gestão de operações de TI e excelência em serviços. Conciliação de dados entre sistemas, abertura automática de chamados e rotinas de fechamento percorrem o mesmo caminho todos os dias, o que reduz a chance de surpresa durante a execução e facilita a medição do ganho obtido.

O mapeamento honesto do fluxo antecede qualquer escolha técnica. Desenhar o processo como ele acontece de fato, incluindo os desvios informais que a equipe criou ao longo dos anos, evita construir uma automação para uma versão idealizada que ninguém executa. A etapa parece burocrática e costuma revelar oportunidades de correção que dispensam tecnologia nova, além de expor quem realmente responde por cada aprovação.

O custo silencioso de manter um robô em operação

Toda rotina automatizada nasce acoplada a uma interface, a um formato de arquivo ou a uma regra fiscal específica. Mudanças em qualquer um desses pontos interrompem a execução, e o reparo depende de alguém com conhecimento da plataforma usada na construção original, condição nem sempre disponível meses depois da entrega. Manutenção de robô compete por agenda com projeto novo e costuma perder a disputa.

Na ótica de Rolando Bonaccorsi, o inventário de automações merece o mesmo cuidado dedicado a qualquer sistema em produção. Robôs esquecidos continuam rodando sem dono definido, consomem licenças e entregam resultados que ninguém confere, quadro frequente em empresas que automatizaram depressa e documentaram pouco. Uma revisão periódica do parque costuma desligar rotinas que perderam função há bastante tempo.

Quando padronizar rende mais que automatizar

Um processo executado de cinco formas diferentes por cinco equipes não está pronto para receber robôs, conforme apresenta Rolando Bonaccorsi, engenheiro de computação com MBA executivo. Automatizar as cinco versões multiplica o esforço de construção e de manutenção, sem ganho proporcional, porque cada variação exige tratamento próprio e passa a envelhecer no seu próprio ritmo. A conta fica visível já no segundo ano de operação.

A simplificação prévia costuma entregar boa parte do resultado esperado. Eliminar etapas redundantes, unificar formulários e reduzir aprovações desnecessárias baixa o custo do trabalho manual antes de qualquer linha de código entrar em cena. Em vários casos, o processo enxuto passa a atender ao prazo exigido pelo cliente interno e torna o projeto de automação dispensável por completo. A automação pode voltar à pauta depois, apoiada em base bem mais sólida.

Como medir o retorno de um processo automatizado?

Horas economizadas contam pouco quando ninguém realoca o tempo liberado. O cálculo relevante compara o custo total da iniciativa, somando construção, licenças e manutenção anual, com o valor devolvido em capacidade, prazo ou redução de erro. Sem a segunda metade da conta, qualquer automação parece vantajosa no relatório apresentado à diretoria, mesmo quando consome mais do que devolve. A revisão do cálculo costuma alterar a prioridade da carteira de projetos.

No panorama traçado por Rolando Bonaccorsi, executivo de operações e delivery em tecnologia, cada automação precisa de data de revisão marcada em calendário. Reavaliar a rotina depois de um período em produção mostra quais merecem continuar, quais pedem ajuste e quais perderam sentido diante de mudanças no negócio, no fornecedor ou na legislação aplicável ao setor.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo