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Do pedido ao laudo, o percurso completo de uma mamografia

Muitas mulheres adiam a primeira mamografia por não saber o que acontece durante o exame. Segundo o Dr. Vinicius Rodrigues, conhecer cada etapa, do preparo à entrega do laudo, reduz a ansiedade e ajuda a evitar erros simples que podem exigir a repetição das imagens. O exame é rápido, mas envolve cuidados que começam antes mesmo da chegada ao serviço de diagnóstico por imagem.

O preparo começa no agendamento

O primeiro passo é escolher a data. Para mulheres que ainda menstruam, a semana seguinte à menstruação costuma ser o período em que as mamas estão menos sensíveis, o que torna a compressão mais tolerável. Quem tem prótese de silicone deve informar no momento da marcação, porque o exame exige incidências adicionais.

No dia, a recomendação é não aplicar desodorante, talco, cremes ou perfume nas mamas e nas axilas. Alguns desses produtos contêm partículas metálicas que aparecem na imagem como pequenos pontos brancos, semelhantes a microcalcificações, e podem gerar dúvida na interpretação. Levar os exames anteriores também faz diferença, como se verá na etapa da leitura.

O que acontece dentro da sala de exame

A paciente fica em pé diante do mamógrafo, sem roupa da cintura para cima. O profissional de radiologia posiciona uma mama de cada vez sobre uma plataforma, e uma placa de acrílico desce para comprimir o tecido por alguns segundos. A compressão espalha as estruturas, reduz a sobreposição e permite usar uma dose menor de radiação.

Em geral, são feitas duas imagens de cada lado. A incidência craniocaudal registra a mama de cima para baixo, enquanto a mediolateral oblíqua faz um registro inclinado, que inclui a região próxima da axila. Todo o procedimento costuma durar entre 15 e 20 minutos, e a compressão de cada imagem dura apenas alguns segundos.

Por que às vezes é preciso repetir uma imagem?

Repetir uma incidência ainda na sala não indica problema. Pode ter havido movimento, posicionamento incompleto ou necessidade de incluir uma área que ficou de fora. O técnico confere a qualidade antes de liberar a paciente justamente para evitar um retorno posterior.

Outra situação é a convocação para imagens complementares dias depois. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o chamado costuma gerar mais preocupação do que deveria, já que muitas vezes serve apenas para ampliar uma região, mudar o ângulo ou fazer uma ultrassonografia que esclarece o achado.

A leitura das imagens pelo radiologista

Depois do exame, as imagens seguem para o médico radiologista. Ele avalia a densidade mamária, procura nódulos, distorções na arquitetura do tecido e microcalcificações, e compara o resultado com exames anteriores. A comparação é uma das ferramentas mais valiosas da leitura, porque uma alteração pequena ganha importância quando surge em um ponto que antes era normal.

Em muitos serviços, sobretudo nos programas de rastreamento, cada exame passa por dupla leitura, feita por dois profissionais de forma independente. Conforme descreve Vinicius Rodrigues, a segunda avaliação aumenta a chance de identificar alterações sutis que poderiam passar despercebidas. Nos serviços que já usam inteligência artificial, o software atua como apoio, sem dispensar a avaliação médica.

O laudo e a conduta seguinte

O resultado final é o laudo, que descreve os achados e informa a classificação BI-RADS, uma escala de 0 a 6 que indica o nível de suspeita e a conduta recomendada. O documento também registra a categoria de densidade mamária, informação que pode orientar a necessidade de exames complementares.

O percurso só se completa quando o laudo chega ao médico que pediu o exame. Na visão de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, levar o resultado à consulta, mesmo quando ele é normal, garante que o próximo exame seja programado no intervalo correto e que qualquer achado tenha a investigação adequada.

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