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Polifarmácia em idosos pode esconder interações entre medicamentos, alerta Yuri Silva Portela 

Pacientes idosos frequentemente precisam consultar diversos especialistas, como cardiologistas, endocrinologistas e reumatologistas. Cada profissional prescreve um tratamento diferente, sem ter conhecimento das prescrições anteriores, o que pode comprometer o acompanhamento médico do paciente. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, expressa que a polifarmácia, caracterizada pelo acúmulo silencioso de medicamentos, costuma se instalar da seguinte maneira: não por descuido de um único profissional, mas pela ausência de alguém responsável por acompanhar o conjunto completo do tratamento ao longo do tempo.

O termo descreve o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos por um mesmo paciente, cenário cada vez mais comum entre pessoas com múltiplas condições crônicas acumuladas ao longo de décadas de acompanhamento médico. Em geral, cada prescrição isolada é tecnicamente correta e justificada, porém o conjunto delas pode gerar um risco que não seria possível prever sem a revisão da lista completa de medicamentos em uso pelo paciente.

Neste artigo, serão analisados os motivos do acúmulo, os riscos concretos decorrentes e a importância da revisão periódica dos medicamentos em uso, assim como da prescrição de novos medicamentos apenas quando necessário para o tratamento.

Consultas fragmentadas levam ao uso excessivo de fármacos entre pacientes 

Cada consulta médica geralmente visa à resolução de uma queixa específica, e cada especialista tende a apresentar uma solução para o problema avaliado, sem necessariamente revisar todas as prescrições anteriores. Na ausência de uma revisão completa do conjunto de medicamentos, a lista de fármacos aumenta progressivamente ao longo dos anos, sem que qualquer profissional tenha ciência do volume real do que é consumido diariamente pelo paciente.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O doutor Yuri Silva Portela evidencia que essa situação se torna mais crítica quando profissionais especializados diferentes não possuem acesso ao registro completo das prescrições, circunstância frequente quando o paciente é atendido em diferentes serviços, sem um processo unificado que consolide todos os dados relevantes sobre o seu histórico de tratamento ao longo do tempo e entre os diferentes profissionais envolvidos.

O impacto da fisiologia do envelhecimento na polifarmácia e na saúde dos idosos 

Interações medicamentosas podem alterar os níveis plasmáticos e, consequentemente, reduzir ou potencializar os efeitos terapêuticos, aumentando o risco de quedas, confusão mental e outras complicações evitáveis ao longo do tratamento contínuo. A fisiologia do envelhecimento contribui para esse cenário, uma vez que alterações nas funções renal e hepática alteram o modo como o organismo processa os medicamentos, resultando em um aumento da probabilidade de efeitos adversos mesmo com doses consideradas padrão para a idade e o peso do paciente.

É importante ressaltar que sintomas como tontura, sonolência excessiva ou confusão mental, muitas vezes atribuídos apenas à idade avançada, podem ser indicativos de uma combinação de medicamentos específicos, que passa despercebida sem uma revisão dedicada e cuidadosa por parte da equipe de saúde. O Dr. Yuri Silva Portela frisa que tais sinais deveriam sempre motivar uma reavaliação completa da lista de medicamentos, e não apenas a adição de mais um tratamento para o novo sintoma apresentado pelo paciente naquele momento específico da consulta.

Transparência na comunicação sobre medicamentos melhora a gestão do tratamento

A revisão de todos os medicamentos em uso, incluindo suplementos e produtos de venda livre nem sempre mencionados espontaneamente pelo paciente, permite identificar sobreposições terapêuticas e avaliar a necessidade real de cada prescrição no contexto atual do paciente. Esse processo não implica a interrupção de tratamentos sem orientação profissional, mas assegura que quaisquer ajustes sejam realizados por um profissional qualificado, capaz de avaliar riscos e benefícios de forma individualizada e meticulosa durante o acompanhamento.

O Doutor Yuri Silva Portela reafirma a importância da transparência no compartilhamento de informações sobre os medicamentos utilizados, incluindo aqueles considerados simples ou de uso esporádico, contribuindo assim para uma visão abrangente e segura do tratamento em sua totalidade. A polifarmácia em idosos demanda atenção contínua, e o reconhecimento desta realidade constitui o primeiro passo para a redução de riscos que, de outra forma, permaneceriam invisíveis até que um problema mais grave os revelasse de forma inesperada e evitável.

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